11 julho 2017

Aulas de crochê no Presídio

 

Oi gente! Hoje eu vou contar um pouquinho  sobre o projeto que estou desenvolvendo no presídio feminino na cidade de Tubarão-SC: estou dando aulas voluntárias de crochê para 26 reeducandas!

A ideia para esse projeto surgiu com base em outros que já se desenvolvem pelo Brasil, também em unidades prisionais, mas que se encontram numa fase bem mais avançada, pois se tratam de estilistas bem sucedidas, que sentiram necessidade de ter mão-de-obra e viram essa oportunidade nos presídios. Eu sou só uma artesã que empacou e cansou de trabalhar sozinha, pois é muito difícil controlar todas as fases de criação, produção, vendas e marketing de uma empresa, mesmo sendo micro. A iniciativa nasceu da necessidade de expandir e do desejo de trabalhar em grupo e passar esse conhecimento milenar.



O impacto que o crochê causa é muito positivo: a maioria das pessoas que pega uma peça nas mãos acaba se abrindo e revelando memórias da infância, do período que passava na casa dos avós, um misto de nostalgia com carinho. Por conta disso, eu acredito que, levando esse aprendizado às reeducandas – que têm poucas oportunidades e visibilidade na sociedade – a gente possa despertar um olhar mais humano sobre elas e, quem sabe, transformar aquela prática em ofício, já que é bem difícil encontrar emprego depois que saem de lá. É muito gratificante ver a alegria no rosto delas quando conseguem completar um trabalho! Eu conheço essa sensação e era exatamente isso que eu queria que mais pessoas tivessem a chance de sentir.

Estamos trabalhando com as agulhas que eu adquiri e as lãs que a Círculo – fabricante de fios com sede em Gaspar/SC – nos enviou. Mas toda ajuda é sempre bem vinda! Eu não cobro nada pelas aulas, mas tenho despesas de deslocamento, pois moro há 40 minutos da unidade. As aulas acontecem todas as sextas-feiras, das 8h às 11h e das 14h às 17h, com duas turmas de 13 alunas cada – no momento, sozinha, é o que estou conseguindo atender. É importante ressaltar que meu acesso à unidade só foi possível graças ao auxílio da Pastoral Carcerária, que já desenvolve trabalhos com reeducandas há anos. Também conto com o apoio constante da direção do presídio, das agentes carcerárias, da assistência social e da juíza que nos autorizou a aplicar essas aulas. Eu enxergo todo esse trabalho como uma “rede de mulheres”, onde cada uma usa seu poder/conhecimento pra levar um pouco de esperança àquelas que não tiveram tantas oportunidades, e minha expectativa é conseguir manter esse projeto com a comercialização do que for produzido pelas próprias alunas.




Contato para quem quiser nos apoiar:
www.pontoarroz.com.br / pontoarroz@gmail.com
(48) 99660-7947 (Isabel)


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